Na época em que os mata-matas dominavam o cenário do futebol nacional, houve um sem número de erros de arbitragem que definiram títulos e classificações. O Palmeiras perdeu o Paulistão de 1971 para o São Paulo e reclama até hoje do gol legal anulado injustamente feito por Leivinha. Dois anos depois Portuguesa e Santos tiveram que dividir um paulista, pois o árbitro errou a conta das penalidades. Em 1995 os erros de arbitragem deram ao Botafogo o título nacional sobre o Santos. Em 1998 a Portuguesa perdeu uma vaga na final do Paulistão em uma penalidade estranha que o argentino Javier Castrilli deu a favor do Corinthians. Pararei nestes quatro exemplos se não não haveria linhas para descrever cada erro.
Entretanto a reclamação, embora existisse, era em um tom bem menor. Os clubes vitimados reclamavam, esperneavam, mas a continuidade dos torneios impedia que essa sensação fosse diluída. Com o advento dos pontos corridos no Brasileirão e as melhorias das tecnologias televisivas, os erros ficaram um pouco mais decisivos e evidentes. Embora os erros antigamente decidiam títulos e classificações, sofrer com o erro terminava com o recomeço da competição um tempo depois, nos pontos corridos, com mais jogos a serem disputados, os erros tomam proporções de vitimização constante. Esse é um dos poucos efeitos colaterais negativos dos pontos corridos.
Em 2003 o Brasileirão passou a ser nesse formato. O Cruzeiro foi o primeiro campeão, talvez pela novidade dos pontos corridos e pela larga vantagem que transformou o clube celeste em campeão com a marca de 100 pontos, pouco se disse sobre arbitragem.
Em 2004, o Santos foi campeão, mas já se ouviam as primeiras reclamações. O Peixe viu Deivid marcar uns oito gols que foram mal anulados pela arbitragem naquela temporada. Mas, foi em 2005 que a coisa degringolou, a conquista do Corinthians acabou manchada pelo esquema que o árbitro Edilson Pereira tinha para manipular resultados, as partidas remarcadas ajudaram o Corinthians na época, mas não havia jeito, os jogos tinham que ser refeitos mesmo. Para piorar a situação, o vice-campeão Internacional teve oportunidade para passar o Corinthians na antepenúltima rodada, mas o empate em um a um ajudou o Timão, o detalhe é que perto do fim daquela partida o juiz Marcio Rezende deixou de marcar uma penalidade clara em Tinga e ainda expulsou o volante colorado. Ali começou o estigma de favorecimento aos campeões, o tri-campeão São Paulo, Flamengo, Fluminense e, novamente, Corinthians sofreram com essa supervigilância que em alguns casos tinha razão, mas o favorecimento nunca foi provado.
A gênese do que ocorre em 2012 está em 2005. Os acontecimentos daquele ano incidem sobre os demais. O vírus do favorecimento e da sensação de que tudo está esquematizado previamente se espalhou pelas arquibancadas para torcidas bem mais preocupadas em pressionar a arbitragem do que em apoiar seu time. Os apitadores brasileiros são ruins em sua maioria, são abandonados pela comissão de arbitragem que se omite e quando orienta, orienta errado. Há todo um sistema cruel e perverso que mantem sobre a cabeça dos juízes de futebol uma foice pronta para a degola. Jogadores, técnicos, dirigentes, torcedores, alguns árbitros nada humildes e a CBF são agentes que usam a arbitragem para disfarçar suas próprias falhas e que colaboram com uma visão desumana da função. É preciso lembrar que sem árbitro não há jogo, não há esporte.
Hoje de tudo se reclama e enquanto não houver um acerto nessas visões vamos deixar de admirar os grandes jogos, os bons atletas que desfilam em nossos gramados e diminuir tudo isso a algo previamente tramado e se assim o for, para quê vamos ao estádio e ligamos a TV mesmo?
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