quinta-feira, 18 de abril de 2013

São Paulo vivo

O Atlético Mineiro tinha o queijo, a faca e a goiabada na mão para eliminar o São Paulo da Libertadores. O time mineiro vinha invicto, cinco vitórias e, mesmo desfalcado de Bernard e Diego Tardelli, mais inteiro para o jogo. O São Paulo tinha a favor apenas o Morumbi e suas 50 mil vozes, os desfalques de Jadson e Luis Fabiano e a campanha decepcionante até o momento deixavam a atmosfera tensa. Além do Galo, era preciso confiar nos argentinos do Arsenal para deterem o The Strongest. Tudo tão difícil, tão impossível, fosse outro esporte, não fosse o futebol.

O Morumbi estava gélido, mas tremia diante dos pulos da massa tricolor que, ao contrário dos comentários clubistas, aparece sempre que precisa. O Galo se armou para os contragolpes, além de tentar anular os avanços de Osvaldo, foi por isso que Cuca optou por Serginho, o Galo não tinha interesse na partida, a não ser eliminar um adversário que, para todos os fins, enfrentaria o próprio time mineiro nas oitavas. Porém, o Atlético não tinha responsabilidade, ao contrário do seu rival que tinha a missão de vencer ou vencer.

A equipe do Morumbi sabia que tecnicamente era inferior ao seu rival, por isso precisava desequilibrar na vontade e foi assim que fez. O time se entregou ao jogo com alma, alma que esteve afastada da equipe já há alguns anos. A correria da equipe fez com que a defesa não errasse muito, coisa que estava se tornando comum ao time de Ney Franco. A dedicação estava estampada em Douglas, que esbarra em seus defeitos técnicos, mas não se esconde e joga para o time. O time todo se doou ao coletivo, até Ganso deu carrinho para desarmar na defesa, assim o sistema defensivo tricolor não correu os tradicionais riscos.

O primeiro tempo foi intenso, mas ruim tecnicamente. A bola não chegou com perigo aos gols defendidos por Victor e Rogério. A rigor não houve nenhuma intervenção dos dois arqueiros que eram meros coadjuvantes do espetáculo de divididas e lutas. Serginho e Marcos Rocha deram conta da marcação de Osvaldo e Carleto e Ganso era bem cuidado por Pierre e Leandro Donizete. Do outro lado, Denilson, Wellington, Lucio, Toloi, Paulo Miranda e Carleto não deram espaços para Ronaldinho e Jô. A única jogada que levantou a galera foi a caneta de Ganso em Serginho.

Na Argentina o Arsenal ia vencendo o The Strongest e se classificava com o 0x0 no Morumbi. Ao São Paulo bastava uma vitória simples. Porém, era preciso algo diferente em campo. Ronaldinho, sem maldade, disse que faltava alegria ao Atlético e que o jogo era um treino para a próxima fase, o problema é que o meia deu margem para a polêmica, era o combustível que faltava.

Cuca mostrou que queria vencer e tirou o apático Luan para a entrada de Alecsandro. Ainda assim o São Paulo voltou melhor. Aos dez minutos, Osvaldo, jogando pela direita em cima de Richarlysson alçou a bola que sobrou para Aloísio que foi puxado por Leonardo Silva e o juiz deu penalidade. No meu mundo perfeito isso não seria penalidade, no Brasil é. Aloísio até foi puxado, mas não foi para aquela queda toda. Leonardo Silva foi inocente demais. Porém, bola na cal, Rogério com sua camisa celeste, bateu e abriu o marcador. Ao mesmo tempo em que o, também celeste, Arsenal ampliava. A vaga estava quase nas mãos tricolores.  

Querendo eliminar o concorrente Cuca lançou mão de Neto Berola, mas não ficou mais ofensivo e deu espaços para o São Paulo. O Tricolor passou a cozinhar o jogo, sabia bem que não era hora de correr riscos desnecessários. Ademilson entrou e o time ganhou velocidade. Até que Ganso venceu duelo com Pierre e rolou para Osvaldo ganhar do marcador na corrida e rolar para Ademilson ampliar. Daí em diante bastou ao São Paulo administrar até o apito final. Porém, antes mesmo do jogo acabar no Morumbi, já havia festa o Arsenal venceu o The Strongest por 2x1 e deu uma mãozinha para o São Paulo.

O jogo foi emocionante, pegado e intenso, mas pouco técnico. Não dá pra sair por aí garganteando que o São Paulo ressurgiu, muita calma nessa hora. O time do Morumbi tem um caminho longo e pouco tempo para percorre-lo, precisa demonstrar essa intensidade mais vezes, aliada ao crescimento técnico. Ganso ainda deve muito ao clube, precisa fazer mais ainda. Porém, o São Paulo é forte e tem para onde crescer.

O Atlético teve uma boa lição, certamente virá ao Morumbi melhor preparado nas oitavas. O Galo é favorito, tem peças de reposição melhores e uma campanha que não deixa dúvidas do seu potencial. Claro que a questão da tradição tem seu valor, mas não é determinante em um elenco tão experiente quanto o dos mineiros. O Galo é favorito, mas não custa lembrar que dos adversários da primeira fase, o São Paulo foi o que deu mais trabalho.

A arbitragem errou na penalidade e apitou muitas faltas desnecessárias, o jogo teria sido ainda melhor não fosse a intromissão do juiz. 

Por Rodolpho Moreno

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