sábado, 15 de dezembro de 2012

O maltratado futebol sul-americano

A confusão nos vestiários do Morumbi que culminou no término do jogo sem segundo tempo entre São Paulo e Tigre e a cortina de fumaça após o ocorrido expõem a fragilidade e a falta de comando da Confederação Sul-americana de Futebol, a Comenbol.

A América do Sul abriga o segundo futebol mais poderoso do mundo, ficando atrás apenas da Europa que, por sua condição financeira maior, detém os melhores jogadores do planeta. Ainda que seus principais jogadores saíam aos montes, o futebol sul-americano se reinventa, mostra novos valores e até se aproveitou da crise mundial para manter ou repatriar alguns dos seus maiores valores. 

O problema é que a falta de estrutura impede que as competições sul-americanas sejam tratadas com respeito, nossa Taça Libertadores da América, por exemplo, não tem metade da visibilidade da sua equivalente européia a Liga dos Campeões da Europa. Obviamente a presença dos melhores jogadores do mundo vai dar mais destaque aos europeus, mas essa competição não se tornaria assim sem profissionalismo e organização. Na Europa já houve brigas e mortes nos estádios, mas aos poucos sanções foram aplicadas, assim como a conscientização dos torcedores que permitiu a retirada dos alambrados e a aproximação ao campo de jogo como é observado na Inglaterra. Enquanto isso o futebol daqui parece preso no tempo.

Acostumamos com estádios velhos, pouco confortáveis, com grades, com intimidação, com coisas atiradas contra jogadores, com provocação, com não saber perder e tratar o jogo como guerra. Essa  imagem nos agride mundo a fora. O futebol é um grande representante da América Latina e quando as imagens da selvageria percorrem o mundo, eles criam o conceito da "terra de ninguém". Com isso não atingimos respeito e muito menos a visibilidade que o continente merece.

O Brasil tem papel importante, pois hoje possui o futebol mais tranquilo economicamente do que seus vizinhos de continente, portanto tem o dever de ser o maior interessado na organização do futebol sul-americano para se tornar vendável ao mundo. É preciso cobrar a Comenbol para tornar as competições mais profissionais, é preciso cobrar uma postura mais forte no intuito de mostrar ao torcedor que o esporte não é guerra.

Ressalto a importância do Brasil ao ver que, nos últimos dez anos, teve representantes na final da Libertadores por nove vezes e em duas oportunidades teve dois finalistas brasileiros, conquistando cinco títulos nessas nove finais, sendo que os últimos três anos foram vencidos por times brasileiros. O Brasil é o principal interessado numa gestão profissional. O futebol praticado aqui representa um bom produto, se a América do Sul parar de maltratar seu esporte, tudo tende a melhorar. 

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