Com uma cobertura quase fantasma os Jogos Paraolímpicos de Londres chegaram ao fim com a sétima posição geral para o Brasil, um recorde. Foram 21 medalhas de ouro, 14 de prata e oito de bronze. Só Daniel Dias levou seis medalhas de ouro na natação. O atletismo que entre os não deficientes passou em branco, entre os paraolímpicos foi a maior fonte de medalhas, 18 no total. Porém, o público quase não viu pela cobertura pálida da mídia em geral. A rede aberta que transmitiu as Olimpíadas pouco mostrou, as fechadas só passaram flashes e a que transmitiu relegou ao seu terceiro canal a cobertura, deixando clara, mesmo que inconscientemente, a importância que foi dada ao evento.
Longe de mim recorrer ao “coitadismo” que durante anos ajudou a construir barreiras invisíveis que ainda são mais intransponíveis do que as visíveis, mas que vão caindo a medida que o mundo muda. É preciso ter em mente que o esporte adaptado possui
exigência sim, em menor escala que o não adaptado, mas que em nada diminui a dificuldade de se ganhar uma medalha. Por isso nada de comparar os feitos dos dois tipos de Olimpíadas, fazer esse tipo de comparação causa deturpações e chega a ser cruel para deficientes e não deficientes. O bom desempenho deve ser comemorado, mas ainda mais que isso deve servir de termômetro de que estamos caminhando para uma sociedade em que o esporte para pessoas com deficiência seja um grande incentivador na diminuição do preconceito e da discriminação. Além disso, deve ser usado de modelo para os não deficientes, aí sim a comparação é válida para promover mais esporte nas terras brasileiras.
Infelizmente a glória desses atletas foi ofuscada pela falta de interesse midiático que impede a transformação da pena em orgulho. Atletas como Daniel Dias, André Brasil, Terezinha Guilhermina, Alan Fonteles entre outros não precisam ser comparados a Cesar Cielo, Maurren Maggi, Usain Bolt, eles tem brilho próprio e esse brilho passou por Londres e virá ao Rio de Janeiro.
Por Rodolpho Moreno
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