Sempre tomo cuidado ao falar de Neymar. Muitos já o descrevem como gênio, espetacular, novo Pelé, eu ainda me refiro a ele como bom jogador, craque muitas vezes, mas ainda deve, deve uma boa sequência de jogos pela Seleção por exemplo, deveu diante do Barcelona, deveu nas Olimpíadas e deveu na Libertadores diante do Corinthians. Não quero dizer que ele jogou sozinho, não merece carregar culpa, afinal já ganhou inúmeros jogos sozinho também, mas ainda não se pode perder de vista de que ainda é um jogador em formação.
Outro ponto sobre ele é que já foi desiludida a idéia de torná-lo ídolo nacional como Luis Álvaro pretendia. Antigamente era comum ir ao estádio para ver um grande jogador que jogava em outra equipe, principalmente pela existência menor de televisores e inexistência da internet, assistir a um grande jogador era um acontecimento. Ainda assim o próprio Pelé foi provocado muitas vezes, sempre respondendo com gols. A geração da qual me incluo perdeu um pouco dessa cordialidade, talvez tenhamos nos acostumado com a distância que a polícia tem que fazer entre duas massas para evitar confrontos ridículos, talvez seja o sinal dos tempos, mas fazer um ídolo nacional aqui é mais difícil. Ronaldo foi essa figura enquanto jogava no exterior, quando jogou no Corinthians, ganhou a antipatia de boa parte dos torcedores rivais, isso era natural, era impossível fazer gols nos adversários sem incomodá-los. Ontem em Curitiba, Neymar sentiu isso na pele.
A torcida do Coritiba pode nem admitir isso, mas boa parte dela foi ver Neymar em ação, principalmente para ver se o time pararia o atacante santista, o que não deixa de ser uma admiração as avessas. A torcida da casa pegou no pé de Neymar, normal, o bom jogador incomoda mesmo e deve fazer isso, tem que pensar em ser aplaudido por sua torcida. Neymar calou as vaias com talento, fez dois gols, o primeiro uma pintura. Depois fez o certo, fez uma provocaçãozinha e recebeu um amarelo injusto.
O problema foi o discurso de vítima do treinador Muricy Ramalho. Como sempre o velho papo de que batem demais nele, acho sim que ele sofre faltas mais que os outros, mas sofre por ser um jogador de alto talento e até agora não vi um jogo em que houvesse uma carnificina a ele. Outro ponto é sobre as vaias para mim absolutamente normais doas adversários e descabidas na Seleção como houve no Morumbi. Neymar também não é santo, sabe provocar, sabe em quem aplicar um drible, não é um menino. Ele escolheu ser jogador de futebol, existirão os que irão adorá-lo e os que irão odiá-lo, cabe a ele lidar com isso.
Sou contra essa visão de todos contra ele, no final de semana apenas o árbitro foi o errado ao dar um amarelo estúpido.
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