Dois velhos amigos se encontram no palco onde nasceram para o futebol, tudo perfeito não fossem as camisas de cores diferentes que envergavam. Neymar e Ganso adentraram a Vila Belmiro pela primeira vez em lados opostos, o abraço demorado e fraternal de ambos contrastava com o ódio e o ressentimento da torcida santista nas arquibancadas.
Entre escolher a alegria, o amor ao esporte e o ódio, o torcedor brasileiro escolhe o ódio. Era mais que simples pegação no pé, era ressentimento mesmo. Coisa de mulher traída (ou homem traído) que adora dar banho de água fervida, que coloca chumbinho preparando a comida como diria o Revelação. Era a festa do bode expiatório, era como jogar um escravo aos leões, era esse o cenário.
Ganso foi vaiado, xingado, hostilizado, sofreu a tradicional chuva de moedas. Exagero. Ganso errou com a diretoria do Santos, mas a diretoria do Santos errou com Ganso também. Houve falta de diálogo de lado a lado. A Vila estava lotada, mas a motivação maior era qual? O amor ao Santos ou o ódio e o desejo de vingança de um suposto "ingrato"? Se ouviu mais insultos ao atual camisa 8 do São Paulo, do que propriamente gritos de incentivo ao Santos.
A vingança veio completa, com vitória e Neymar jogando mais que o amigo. Porém, o que fazer com o discurso de que Neymar é sempre provocado e por isso deve ser protegido? O que dizer dos inúmeros pedidos de santistas para quebrarem Ganso, quando vivem dizendo que querem quebrar o camisa 11 santista?
Outro dia ouvi na tv, na ESPN, do comentarista Eduardo Tirone que no Rio ainda se grita gol, enquanto em São Paulo os rivais gritam chupa. O amor pelo jogo está morrendo, o ódio anda consumindo o futebol. Triste.

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