O técnico Ney Franco sabe bem que não está seguro no cargo de treinador do São Paulo. A pressão interna já é grande, alguns jogadores já demonstram desgaste com o técnico e as atuações fracas também atingiram o limite da paciência dos torcedores. A grande possibilidade de ser eliminado na primeira fase da Libertadores é primordial para o estabelecimento de uma situação instável no clube.
Ney é um bom treinador, provou isso ao fazer mudanças que melhoraram tecnicamente o time do Morumbi. Paulo Miranda, a volta de Wellington, Luis Fabiano em boa fase e Lucas fazia a diferença. Tanto que o esquema de jogo era adaptado ao camisa sete. Lucas fechava bem o meio de campo e ainda decidia na frente. Porém, ainda assim o São Paulo teve algumas dificuldades em 2012, mesmo sendo o melhor time do Brasileirão 2012 no segundo turno e campeão da Copa Sul-Americana.
O ano virou, Lucas foi embora, mas o São Paulo melhorou bem o elenco. O São Paulo foi atrás de Negueba e Wallyson para a posição de Lucas, porém o primeiro se machucou gravemente ainda na pré-temporada e o segundo só ficou em condições recentemente, esse foi o segundo momento de atrito, Ney cobrou abertamente a contratação de um ou dois jogadores para a posição, o clube tentou o chileno Vargas mas não conseguiu fechar. Sem Vargas, Ney tinha que se virar, usou Jadson, Aloísio, Cañete e Douglas esperando ver um falso Lucas, não viu, mas manteve a ideia até como forma de forçar a diretoria. Wallyson também atuou ali, mas ainda em condições físicas ruins. Estranhamente Ademílson que tem características parecidas com Lucas, mesmo jogando bem nas oportunidades que teve, viu Ney Franco deixá-lo como última opção.
Enquanto Ney Franco se concentrava no dilema do lado direito tudo o mais desmoronava. Lúcio obrigava uma reorganização da defesa, Denilson e Cortez vivem fase péssima tecnicamente e ainda assim continuam como titulares, Luis Fabiano segue longe do ideal físico e técnico e Ganso segue sem chances de obter uma sequência. As reclamações da diretoria e da torcida por uma série de vitórias sem convencimento aumentaram. Os jogadores passaram a demonstrar insatisfação com o treinador. Ney optou pela queda de braço, já teve atritos com Ceni, Lúcio, Ganso, Wellington e com diretores do clube. Na vitória diante do Oeste, Ney peitou a torcida ao colocar Cañete no lugar de Jadson e ter deixado Ganso no banco, queria dar um recado com isso, mas quase tomou o castigo quando a equipe de Itápolis quase empatou.
Ney Franco é trabalhador, mas se preocupa demais com a auto afirmação. Isso faz com que perca o grupo. Cortez, Denilson, Douglas, Wellington e Luis Fabiano andam mal tecnicamente e não perdem espaço na equipe, alguns reservas como Rodrigo Caio, Fabricio, Carleto, Aloísio, Cañete, Maicon, Ademilson e Ganso poderiam ser usados mais vezes para suprir os defeitos e quando Ney não é justo, causa enfraquecimento do grupo.
Contra o Palmeiras Ganso estava bem, Ney Franco tirou o jogador e deixou Maicon desgastado em campo, o time do Morumbi perdeu o meio para o rival. A rigor, o São Paulo só mudou de esquema duas vezes, em duas derrotas, na primeira jogou no 4-4-2 e, apesar de um bom primeiro tempo, foi derrotado pelo Santos, na segunda um 3-5-2 desastroso na Argentina.
A diretoria do São Paulo anda enfraquecida, mas o campo precisa estar aquém das decisões administrativas. Acredito que Ney Franco ainda pode recuperar o time, mas para isso, ele mesmo precisa rever alguns conceitos da equipe e passar a armar um time no conceito real, atualmente se depende demais das qualidades de cada jogador.
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