Ao contrário do que se esperava, Santos e Corinthians fizeram um clássico xoxo, sem grandes oportunidades e que acabou em 0x0. O Timão foi melhor em campo, merecia ter levado a melhor, mas esbarrou na falta de objetividade no jogo disputado num Morumbi com um público desanimador de apenas 17 mil pessoas. O Santos mostrou problemas de estrutura e Neymar parece mais apagado do que nunca.
O clássico é o único momento em que o arrastado Campeonato Paulista parece ter sentido e se esperava muito deste, afinal estavam em campo jogadores de grande talento como Renato Augusto, Pato, Guerrero, Montillo e Neymar, mas em campo o jogo foi bem menos prodigioso.
O Corinthians poupou os laterais Alessandro e Fabio Santos, Edenilson e Igor entraram sem comprometer o sistema defensivo, fora isso Renato Augusto teve a oportunidade de jogar mais e ser a principal peça do ataque alvinegro. Do lado santista Muricy ainda busca a melhor formação, mas errou ao iniciar a partida com Galhardo na lateral direita e com Marcos Assunção extremamente longe das melhores condições físicas.
Na base da empolgação o Santos dominou os dez primeiros minutos embora não tenha obrigado nenhuma defesa de Cássio. Quando o Corinthians entendeu a movimentação adversária conseguiu neutralizar a velocidade santista e determinar o jogo na sua cadência. O problema é que o Corinthians foi muito lento na transição do jogo. A bola não chegou bem aos pés de Pato e Guerrero, quando chegou Galhardo salvou o Peixe. Galhardo que sofreu quando Renato Augusto caiu pelo seu lado numa inversão que o próprio Renato sugeriu ao treinador Tite, já que inicialmente jogaria pelo outro lado. Com Montillo e Neymar apagados, o Santos só chegava na bola parada de Marcos Assunção ou quando Arouca ou Cícero apareciam como elemento surpresa e dificultavam o sistema defensivo corinthiano.
Na segunda etapa o jogo parecia que seria melhor, mas não o foi. A entrada de Bruno Peres melhorou a marcação pela direita e o Santos melhorou defensivamente. Neymar individualizava demais e perdia a bola com facilidade. Durante o jogo ficou evidente a diferença de qualidade dos dois elencos, Tite usou Douglas e Emerson nos lugares de Danilo e Guerrero. Douglas não conseguiu jogar, mas Emerson deu mais vida ao ataque. Muricy colocou Felipe Anderson que, convenhamos, nunca conseguiu ter atuações que confirmassem seu status de promessa. O jogo seguiu morno, apenas Marcos Assunção quase abriu o marcador numa falta defendida espetacularmente por Cássio, mas assim ficou tudo como começou no Morumbi.
O Corinthians parece certo da classificação, não demonstrou muita ambição para vencer o adversário. Obviamente a motivação não é a mesma que na Libertadores, fora isso Tite ainda se deu ao luxo de fazer testes em um jogo diante de um adversário qualificado.
Os maiores problemas ficam pelo Santos. O time ainda está em montagem, mas Muricy já é cornetado na Vila. O trabalho de Muricy no Santos é ruim, mas nem tudo por causa dele, o fato é que desde o fim de 2010 o Santos não joga um bom futebol. Em 2011 por muito pouco o Peixe não ficou na primeira fase da Libertadores, Muricy chegou e o Peixe foi campeão. Depois o Santos teve problemas no elenco e não deu pra fazer muita coisa em 2012. As contratações para 2013 ainda demorarão para fazerem efeito.
Muricy é culpado por escalar equivocadamente Galhardo e Marcos Assunção. O ideal era que o Peixe jogasse com dois volantes de maior vitalidade, ainda assim a defesa não sofre tantos gols. O problema do Santos passa pelo posicionamento que não pode cair só na conta do técnico. O Peixe é loteado de jogadores experientes capazes de acertar o posicionamento em campo por si sós como fez Renato Augusto do outro lado. No Brasil, os jogadores são muito mimados, parecem crianças que precisam de orientação para tudo e futebol não é bem assim.
Por fim, Neymar fez uma das piores partidas que vi dele. Facilmente marcado, individualista demais, pouco efetivo e com a mania irritante de cavar penalidades. Tudo bem que Gil e Ralf são bons marcadores e que dão poucas oportunidades aos rivais, mas Neymar teria que buscar espaços e buscar a aproximação com os companheiros, não apostar apenas na individualidade. Depois do jogo o velho papo de que ele não precisa ser cobrado, lógico que precisa, tem talento e quem tem talento tem que ser cobrado, pois pode sempre dar mais de si. Se Neymar está de saco cheio, triste por ser cobrado deveria procurar outro esporte, futebol é assim.
Os destaques do jogo foram Gil, Ralf, Renato Augusto, Arouca, Durval e Léo que estiveram bem na maioria de suas jogadas.
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