quinta-feira, 9 de maio de 2013

O fim do "Soberano"?

A derrota por 4x1 para o Atlético-MG no estádio Independência decretou a eliminação do São Paulo da Libertadores 2013. O time do Morumbi tem todo um carinho especial pela competição, mas desta vez foi despreparado para a disputa. A equipe protagonizou sua pior campanha dos últimos anos, muito pouco para quem acredita ter nascido para vencer a América e o Mundo.

O Galo mineiro mostrou que no campo de jogo a tradição se torna apenas detalhe. O time mineiro se impôs desde o primeiro apito do juiz até o final. Entrou com força e disposto a não dar a menor chance ao adversário. Adversário que já entrou fragilizado psicologicamente e enfraquecido com a ausência do único atacante que hoje joga bem pelo lado paulista. Sem Osvaldo, mesmo com três atacantes no banco, Ney Franco optou por Douglas no ataque. Douglas vive momentos esquizofrênico, poderia ser um bom lateral-direito, mas seu treinador o escala de tudo em campo, menos de lateral.

Porém, poderia ser Douglas, Romário ou um poste no ataque tricolor que não venceria o Atlético-MG. A derrota tem significado maior que simples conjecturas técnicas e táticas. O Galo venceu o São Paulo na bola, na técnica, mas, principalmente, por ter se preparado para o momento. A diferença de ideias, organização e montagem dos elencos é gritante. Enquanto os mineiros formaram um elenco experiente e talentoso, no Morumbi se apostou em "dinossauros", jogadores inexperientes e outros de nível baixo. Fora isso, em campo, o time mineiro funciona e arrebenta, o paulista não.

O São Paulo teve um período vencedor no começo dos anos 90. Em 1995 o time que era o terror da América entrou num estado letárgico. Demorou dez anos para retornar para a Libertadores e, logo na segunda participação no retorno, levou o tricampeonato continental e mundial. Até 2008 o Tricolor parecia ter retornado, mas desde então o time voltou aos tempos difíceis.  

O bom momento recente fez o São Paulo se fortalecer, mas junto com o fortalecimento veio a soberba. Incutiram no torcedor a fama de "soberano". Soberania no futebol dura 90 minutos e olhe lá. O uso do termo obriga o São Paulo a ser excelente em tudo que faz, não o é. Hoje o time do Morumbi não é temido por seus pares de tamanho, em virtude de uma administração ultrapassada, baseada em preconceitos e ruim em vários sentidos.

A derrota de ontem deveria ser útil para a aposentadoria do "Soberano". O momento é de humildade, de análise profunda do elenco, dos objetivos e da direção do clube. Juvenal Juvêncio foi um homem importante na história do clube, mas a sua administração implora um fim. Seus conceitos estão ultrapassados, os rivais igualaram a estrutura tão decantada, os clubes armaram contra-golpes da estratégia são-paulina de trazer jogadores em fim de contrato, minaram a grande sacada da equipe de 2005. A diretoria tricolor dormiu achando que nas categorias de base brotariam craques em profusão. Acreditaram mesmo que apenas estrutura e camisa seriam suficientes para glórias.

O São Paulo é um clube que hoje vive no passado. Nesta quarta tomou uma porrada do presente. O golpe, embora doloroso, pode ser absorvido e transformado em coisas boas. A oportunidade de mudança está batendo na porta do Morumbi. Menos soberania, mais futebol.      

Para torcedores é permitida uma dose de soberba, para dirigentes isso é um pecado capital.
   

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