sexta-feira, 3 de maio de 2013

O inverno está chegando...

"O inverno está chegando" é a frase de chamada da épica série Game of Thrones, ela se refere ao inverno tenebroso que se aproxima da terra e trará grandes dificuldades aos homens. É nesse cenário que o São Paulo pode se encontrar nos próximos seis dias se for eliminado no Paulistão pelo Corinthians e na Libertadores pelo Atlético-MG, duelos justamente contra as duas melhores equipes do Brasil hoje, que se tornam mais difíceis ainda depois da derrota dolorida diante dos mineiros no Morumbi.

Em 2008 o time do Morumbi se sentia o mais forte do Brasil, era tri-campeão nacional, tinha grande influência nos bastidores, tinha o melhor elenco, a melhor estrutura, ou seja, estava acima dos demais. Porém, veio 2009 e uma derrota vexatória para o Cruzeiro no Morumbi pela Libertadores determinou a queda do técnico Muricy Ramalho. Naquele momento a soberba dos dirigentes do clube, representantes de um estirpe de são-paulinos em extinção e ultrapassados,  sobrepôs ao decantado planejamento. Não que Muricy já andava desgastado, mas ele poderia ter posto o time no trilho no Brasileirão como nos anos anteriores, mas coube a Ricardo Gomes a missão de direcionar o time e até que foi bem deixando o time na terceira posição do Brasileirão e levando o time até a Libertadores de 2010. Porém, a eliminação nas semifinais da competição sul-americana para o Internacional derrubou o treinador. Depois a diretoria gastou cartuchos com Sergio Baresi, Adilson Batista, Paulo Cesar Carpegiane e Emerson Leão representaram os diversos erros de avaliação da diretoria, sem contar as contratações duvidosas e as demissões estranhas do pessoal de apoio interno do clube.

Entre 2011 e 2012 o presidente Juvenal Juvêncio detectou que o problema não eram os treinadores, era o grupo de atletas. Dispensou mais de doze atletas numa tacada só, resgatou a base, apertou o cinto financeiro do clube, apostou em soluções baratas, mas nada dava certo e a bomba sobrou na mão de Emerson Leão que foi demitido. JJ sabia que não podia mais errar e trouxe Ney Franco, versado em trabalhar com jovens e com jogadores mais desconhecidos. O homem deu jeito, levou o São Paulo de volta para a Libertadores e ainda faturou a Copa Sul-Americana. 2013 tinha tudo para ser o ano da volta triunfal do Tricolor, ledo engano. A maioria das contratações não vingaram, outros estão em declínio físico e técnico e a geração promissora da base, não era tão promissora assim.

Tudo isso levou o São Paulo para longe dos dias ensolarados de glória e para um inverno que se aproxima com força. O time de 2013 é valente e tenta se impor, mas anda esbarrando no erro individual, Ney Franco estabilizou as laterais, melhorou o posicionamento dos volantes, deu a Ganso e Jadson a possibilidade de jogarem juntos, mas não conseguiu evitar que Luis Fabiano e Lúcio comprometessem a temporada. Porém, a grande dúvida é saber como reagirá a diretoria diante dos fracassos caso eles venham. 

Se seguir o caminho comum e demitir Ney Franco dará um passo atrás. Luis Fabiano, Lúcio, Rogério Ceni, Fabrício que deveriam ser os líderes cometem muitas falhas, mas são as peças que podem dar direcionamento ao time. O time precisa fazer uma escolha importante caso seja eliminado ou caso se classifique também, precisa escolher como vai gerir seus próximos anos, se vai derrubar o castelo de areia toda hora ou vai dar tempo de maturação. O clube que outrora se orgulhava do seu planejamento, precisa de fato planejar seus passos futuros.

Precisa fazer um avaliação fria do elenco, dos jogadores contratados, voltar a ser certeiro na admissão de novos jogadores. Precisa retornar a 2003 onde o time saiu do limbo de volta as frias terras do Japão onde foi tri e culminou com o tri nacional em 2008. O planejamento tem que começar independente dos resultados, é bom se preparar, pois a partir de domingo o inverno vai chegar.  

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