A arbitragem voltou ao palco das discussões após o erro no clássico de domingo entre Santos e Corinthians. O técnico corinthiano Tite disparou a metralhadora para cima da arbitragem e sobrou até para Neymar a quem chamou de mau exemplo. De fato Tite tem alguma razão em reclamar do jogo e do lance de impedimento, talvez tenha sua visão a respeito do 11 santista, mas suas declarações merecem ser melhor analisadas.
A arbitragem brasileira é ruim, isso é fato. Nossos árbitros são, excluindo raros casos, afoitos, medrosos e sem critério algum. Tem jogo que a bola não rola, são marcadas faltas quase a cada minuto, o jogo fica feio, chato. Além disso, são comuns as inversões de falta, cartões fora de hora, impedimentos mal marcados e uma vontade monstruosa de marcar penalidades sem a existência delas. Quem assiste ao campeonato inglês percebe uma nítida diferença de estilos. Porém, não podemos eximir de culpa os jogadores, os treinadores e a torcida. Jogadores são ases em simular faltas e penalidades, exercem pressão nos apitadores em campo, além de cometerem faltas tolas como puxar a camisa que é um ato covarde, e encostar no rival mesmo que não aconteça nada na jogada. Os treinadores são os piores, pois possuem o poder da palavra após os jogos e durante eles ficam pressionando, apitando do lado de fora e muitas vezes são covardes, sempre reclamam dos erros contra seu time, nunca vi nenhum que admitisse que seu time foi ajudando quando foi em alguma partida. A torcida é a primeira a eleger o juiz como inimigo, o árbitro já é culpado preventivamente por qualquer coisa que aconteça e essa situação já é completamente adversa para o dono do apito.
A arbitragem precisa melhorar, mas para melhorar é preciso ter ações éticas. A culpa da arbitragem ruim compete a todos os envolvidos no futebol. O problema está na mania que todo mundo tem de só ver o seu lado e querer levar vantagem em tudo. Por exemplo, na Inglaterra a torcida, mesmo do próprio time, vaia o jogador que ludibria o árbitro. Os treinadores de lá, dificilmente comentam a atuação da arbitragem. Enquanto acharmos que nosso time pode levar vantagem e o outro não pode a arbitragem não vai melhorar.
Tite tem razão em falar do mau exemplo de Neymar, realmente o jovem craque santista simula muito, muitas vezes se evitasse a queda seria uma arma ainda mais letal. Porém, Tite não usou o mesmo tom quando Jorge Henrique usou o mesmo recurso e não repreendeu Emerson Sheik quando este mordeu a mão do defensor argentino do Boca Juniors, morder não é do jogo e é desleal. Uso Tite de exemplo embora isso se aplique a maioria dos treinadores que também fazem disto um mau exemplo. O coitadismo tem que ser abandonado, está na hora de admitir que todos tem sua parcela de responsabilidade.
A arbitragem brasileira não me parece má intencionada. Afinal, eles erram para todos os times, de pequeninos a gigantes, todos já foram prejudicados e ajudados em algum momento de sua história. Porém, não se pode perder de vista que o juiz é um ser humano, está passível de erro, assim como um goleiro pode frangar, um atacante pode perder um gol e o técnico pode alterar errado. O árbitro precisa de ajuda para melhorar suas condições profissionais e trabalhar com mais tranquilidade. A solução passa por uma conduta ética de todos os envolvidos. Talvez a tecnologia ajudasse nisso, mas sou reticente afinal o buchicho que rola após decisões polemicas é muito divertido.
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