Os
Jogos Olímpicos são, talvez, a única oportunidade do público mais
abrangente ter acesso a esportes menos midiáticos e conhecer um
pouco mais dos atletas e saber como está o seu país diante das
potências já conhecidas. Para nós, brasileiros, essa edição de
2012 chama mais a atenção pelo prognóstico das Olimpíadas que
serão disputadas no Rio de Janeiro em 2016.
Quando a competição acontece em
seu país, se espera, naturalmente, que os atletas conterrâneos
tenham uma performance boa. No caso brasileiro, um resultado bom nem
sempre significa um lugar no pódio e isso precisa ser assimilado
pela população em geral. A Olimpíada é uma competição especial,
pois só ocorre a cada quatro anos, portanto por mais que se treine,
um único erro pode marcar para sempre a carreira de um atleta, ainda
mais que poucos felizardos tem a oportunidade de participar mais de
uma vez e outros bem poucos ainda tem a honra de trazer uma medalha
no peito, por isso aí se reúne um grande esforço não só físico,
mas, principalmente, psicológico.
O
Brasil oferece boas condições em algumas modalidades, moderadas em
outras e pífias em outras. Falta a homogeneidade que os países de
ponta possuem. Porém, a gente pôde ver que o brasileiro parece não
entender isso. O ataque gratuito nas redes sócias a judoca Rafaela
Silva, após sua derrota, inclusive com manifestações racistas foi
de estupidez e intolerância sem a menor necessidade. Estar entre os
três, cinco, oito, 30 ou 60 do mundo já é uma honra, ainda mais em
um país que pouco dá apoio ao esporte como um todo. Alguns dirão
que os atletas só fazem isso, mas será que essas pessoas eram bons
alunos quando só estudavam? Será que são bons trabalhadores quando
só trabalham?
É
bom lembrar que no Rio de Janeiro, o Brasil é obrigado a competir em
todas as modalidades e terão equipes que não passarão da primeira
fase. A Grã-Bretanha faz uma Olimpíada com poucos resultados
positivos até aqui, mas, em nenhum momento, se vê uma pressão
sobre os atletas, pelo contrário, total apoio. Essa lição precisa
ser aprendida aqui no Brasil, para que a torcida não faça feio.
Mais do que preocupa o desempenho dos atletas, preocupa o
comportamento da torcida.
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