sábado, 4 de agosto de 2012

Superexposição do esporte, exposição da intolerância


Os Jogos Olímpicos são, talvez, a única oportunidade do público mais abrangente ter acesso a esportes menos midiáticos e conhecer um pouco mais dos atletas e saber como está o seu país diante das potências já conhecidas. Para nós, brasileiros, essa edição de 2012 chama mais a atenção pelo prognóstico das Olimpíadas que serão disputadas no Rio de Janeiro em 2016.
Quando a competição acontece em seu país, se espera, naturalmente, que os atletas conterrâneos tenham uma performance boa. No caso brasileiro, um resultado bom nem sempre significa um lugar no pódio e isso precisa ser assimilado pela população em geral. A Olimpíada é uma competição especial, pois só ocorre a cada quatro anos, portanto por mais que se treine, um único erro pode marcar para sempre a carreira de um atleta, ainda mais que poucos felizardos tem a oportunidade de participar mais de uma vez e outros bem poucos ainda tem a honra de trazer uma medalha no peito, por isso aí se reúne um grande esforço não só físico, mas, principalmente, psicológico.
O Brasil oferece boas condições em algumas modalidades, moderadas em outras e pífias em outras. Falta a homogeneidade que os países de ponta possuem. Porém, a gente pôde ver que o brasileiro parece não entender isso. O ataque gratuito nas redes sócias a judoca Rafaela Silva, após sua derrota, inclusive com manifestações racistas foi de estupidez e intolerância sem a menor necessidade. Estar entre os três, cinco, oito, 30 ou 60 do mundo já é uma honra, ainda mais em um país que pouco dá apoio ao esporte como um todo. Alguns dirão que os atletas só fazem isso, mas será que essas pessoas eram bons alunos quando só estudavam? Será que são bons trabalhadores quando só trabalham?
É bom lembrar que no Rio de Janeiro, o Brasil é obrigado a competir em todas as modalidades e terão equipes que não passarão da primeira fase. A Grã-Bretanha faz uma Olimpíada com poucos resultados positivos até aqui, mas, em nenhum momento, se vê uma pressão sobre os atletas, pelo contrário, total apoio. Essa lição precisa ser aprendida aqui no Brasil, para que a torcida não faça feio. Mais do que preocupa o desempenho dos atletas, preocupa o comportamento da torcida. 

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