A participação brasileira nas Olimpíadas de Londres foi boa em
relação a importância que é dada ao esporte por aqui. Foram 17
medalhas no total, sendo três delas de ouro. Porém, mesmo na melhor
participação da história, o Brasil ficou bem longe das grandes
potências do esporte.
A edição de 2012 deixa lições, o problema é que essas
lições são dadas ano após ano e os responsáveis pelo desporto
nacional não aprendem nada com elas. Por exemplo, o ouro conquistado
por Cesar Cielo em Pequim 2008 na natação, poderia sugerir um
investimento de base no esporte e a tendência era o crescimento na
prática do nado, mas em Londres vimos a involução e a queda de
rendimento diante dos resultados. O Brasil perdeu mais uma
oportunidade, assim como perdeu com a ginasta Dayane dos Santos, o
tenista Gustavo Kuerten e tantos outros atletas que obtiveram
sucesso, mas foi insuficiente para o investimento maior nessas
modalidades.
É bom lembrar que não é importante um país ser uma potência
olímpica. Muitos países com o índice de desenvolvimento humano
alto não são fortes nos esportes de competição. A Olimpíada deve
ser encarada como uma desculpa para fomentar a prática esportiva,
ainda que o resultado seja um objetivo, o reflexo dessa grande festa
é permitir o acesso, o interesse e a exposição dos esportes para
as populações do mundo. O Brasil precisa aprender que pode demorar
décadas para ser uma potência, mas é preciso não só pensar no
final que é o atleta profissional e começar a pensar na base, na
escola, onde o futuro se encontra. Não precisamos de medalhas de
ouro para mostrar grandeza, precisamos é de um povo feliz, motivado,
com autoestima e o esporte é parte primordial desse processo.
Nós precisamos parar de sonhar em sermos fortes nas
Olimpíadas, esquecer a promessa de ser potência e trabalhar
verdadeiramente para isso. Essa edição, coroou os bons trabalhos no
basquete, no voleibol, no handebol, no boxe e no judô, são as
provas de que planejamento e organização são recompensadas. É
muito mais importante um país forte na saúde, na educação e na
justiça social. O esporte tem que ser apenas um meio de ajudar na
melhora da população, nos tornar fortes como nação.
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