quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lições Olímpicas


     A participação brasileira nas Olimpíadas de Londres foi boa em relação a importância que é dada ao esporte por aqui. Foram 17 medalhas no total, sendo três delas de ouro. Porém, mesmo na melhor participação da história, o Brasil ficou bem longe das grandes potências do esporte.
A edição de 2012 deixa lições, o problema é que essas lições são dadas ano após ano e os responsáveis pelo desporto nacional não aprendem nada com elas. Por exemplo, o ouro conquistado por Cesar Cielo em Pequim 2008 na natação, poderia sugerir um investimento de base no esporte e a tendência era o crescimento na prática do nado, mas em Londres vimos a involução e a queda de rendimento diante dos resultados. O Brasil perdeu mais uma oportunidade, assim como perdeu com a ginasta Dayane dos Santos, o tenista Gustavo Kuerten e tantos outros atletas que obtiveram sucesso, mas foi insuficiente para o investimento maior nessas modalidades.
É bom lembrar que não é importante um país ser uma potência olímpica. Muitos países com o índice de desenvolvimento humano alto não são fortes nos esportes de competição. A Olimpíada deve ser encarada como uma desculpa para fomentar a prática esportiva, ainda que o resultado seja um objetivo, o reflexo dessa grande festa é permitir o acesso, o interesse e a exposição dos esportes para as populações do mundo. O Brasil precisa aprender que pode demorar décadas para ser uma potência, mas é preciso não só pensar no final que é o atleta profissional e começar a pensar na base, na escola, onde o futuro se encontra. Não precisamos de medalhas de ouro para mostrar grandeza, precisamos é de um povo feliz, motivado, com autoestima e o esporte é parte primordial desse processo.
Nós precisamos parar de sonhar em sermos fortes nas Olimpíadas, esquecer a promessa de ser potência e trabalhar verdadeiramente para isso. Essa edição, coroou os bons trabalhos no basquete, no voleibol, no handebol, no boxe e no judô, são as provas de que planejamento e organização são recompensadas. É muito mais importante um país forte na saúde, na educação e na justiça social. O esporte tem que ser apenas um meio de ajudar na melhora da população, nos tornar fortes como nação.

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